PADRE QUEVEDO - MORRE AOS 88 ANOS

  • 09/01
  • Crônicas
  • Nelson Moraes

 Muitos espíritas, ao tomarem conhecimento da participação do padre Quevedo no programa "Fantástico", nos anos 90/2000, levado ao ar todos os domingos pela Globo, demonstraram uma certa preocupação com os efeitos que isso poderia causar na opinião pública com relação ao Espiritismo. Recebi uma grande quantidade de telefonemas e E-mails vindos de diversas localidades do nosso país, manifestando essa preocupação, isso me levou a publicar essa matéria.
    Minha reação foi adversa, senti-me feliz, pois com esse evento, foi colocado em pauta através de um veículo poderoso de comunicação, um assunto que, mesmo abordado de forma contraditória, iria trazer grandes benefícios a nossa Doutrina, a menos que, alguns espíritas menos avisados, se proponham a duelar, tentando provar alguma coisa através de fenômenos.
     O Espiritismo tem por missão, revelar ao homem, a sua imortalidade e aproximá-lo da sua real natureza. Portanto, o espírita não deve estar preocupado em provar nada a ninguém, à ciência compete essa missão.
     A título de analise, convido os leitores, principalmente aqueles que estão preocupados com a posição da ciência, a imaginar junto comigo o seguinte: vamos supor que em uma bela manhã, deparamos com uma manchete estampada em todos os Jornais e na imprensa em geral de todo o mundo, com os seguintes dizeres: "Finalmente os cientistas comprovaram a reencarnação e a existência do espírito!". Ainda imaginando... à noite, desse mesmo dia, diante dos homens de ciência frente às câmeras de televisão, vários espíritos se materializassem e suas imagens fossem transmitidas para todos os habitantes do planeta. Já pensaram quais seriam as conseqüências geradas por esse fato?
     As pessoas, em todo o mundo, estariam preparadas para assimilar essa realidade e compreendê-la?
     Qual o comportamento que assumiriam os religiosos sectários e fanáticos?
    A igreja milenar, agora sem o poder das fogueiras para queimar os descobridores da verdade, estaria disposta a reconsiderar seus conceitos?
     E os espíritas, estariam preparados para atender a demanda em suas instituições?
     Analisem profundamente a questão e, com certeza, concluirão que, conforme o que aprendemos com a Doutrina Espírita, para tudo existe um tempo certo, e que, se isso realmente acontecesse prematuramente, com certeza, estabeleceria um caos social e moral, prejudicando a evolução planetária.
     Portanto, aquietemos nossos ânimos e procuremos em nossos próprios núcleos os únicos elementos que realmente podem retardar a marcha do Espiritismo. Os detratores de toda sorte não poderão jamais ofuscar a luz que emana do Consolador Prometido, ao contrário, farão com que brilhe ainda mais.
     A presença do padre Quevedo no "Fantástico", estimulará outras emissoras de TV, a trazer para suas telas, programações abordando assuntos semelhantes, o que, na certa, acabará despertando naqueles que estão a procura da verdade, o interesse pelo assunto, promovendo uma ampla divulgação favorável ao Espiritismo.
     A Doutrina Espírita, não é uma doutrina fundamentada em fenômenos, prescinde deles, é fundamentada na razão. Assimilá-la, é uma questão de discernimento. A lógica profunda contida nas leis universais que revela, é a ferramenta a ser usada pelos espíritas para contrapor à ignorância. Basta um pouco de raciocínio para desmontar completamente a teoria do nosso amigo Quevedo.
     Vejamos, sendo ele de formação católica, suas convicções religiosas estão fundamentadas no Evangelho, portanto, admite a sua veracidade.
     Como ele explicaria o episódio da transfiguração, quando Elias e Moisés foram vistos pelos apóstolos ao lado de Jesus? Estariam vendo imagens emitidas pelo próprio subconsciente?
     Será que naquele momento, estavam todos pensando exatamente nos mesmos personagens?
     Como poderiam, através do subconsciente, projetarem simultaneamente as imagens de pessoas que não conheceram e nem ao menos sabiam como eles eram fisicamente?
     Não foi uma aparição restrita à visão de uma única pessoa, foram vários apóstolos que presenciaram as imagens, eram tão reais que eles até cogitaram em preparar tendas para acomodar os ilustres visitantes.
     É compreensível a posição do nosso irmão Quevedo. Hoje sabemos que, embora submetidos à uma convivência irrestrita, nem todos estamos transitando na mesma faixa de compreensão e discernimento. Muitos, apesar do brilho aparente, são espíritos dotados de um discernimento muito restrito, o qual, não pode ser ampliado apenas absorvendo cultura, é necessário muito mais que isso, é preciso que se acumulem muitas experiências de vida através de inumeráveis reencarnações marcadas por um razoável aproveitamento.
     Talvez, o discernimento do nosso irmão, esteja limitado apenas à cultura adquirida e aos preconceitos religiosos provavelmente sustentados a cada reencarnação. Hoje, através do seu "subconsciente", "inconscientemente", tenta reviver um período da história da humanidade onde a Igreja era dona absoluta da verdade, incapaz de fazer prevalecer seus dogmas religiosos e sentindo a pressão da verdade, tenta desmenti-la.
     Sem a autoridade religiosa de que era revestido em outras eras, tenta agora, através da Parapsicologia tendenciosa que pratica, impor as suas teorias, entretanto, desconhece que, na ciência, uma teoria não é o suficiente para desmentir outra. É preciso a comprovação material do fato. Não podemos colocar um espírito na proveta para provar à ciência que ele existe e nem tão pouco, a ciência, dispõe de fatos concretos que possam desmentir a sua existência. Nesse impasse, fica o dito pelo não dito, até que se prove o contrário.
     Até hoje, nada do que o Espiritismo revelou foi desmentido pela ciência, entretanto, muitas das coisas que a Igreja que o nosso irmão defende, e que, outras tantas, adotaram como verdades, há muito foram desmentidas pela ciência e se tornaram até certo ponto, ridículas. 
     A única reação plausível que compete aos espíritas, é trabalhar ainda mais, usando todos os recursos disponíveis para realizar uma ampla divulgação dirigida a população em geral, sobre o que é o Espiritismo.
     Precisamos aprender a conviver com os fatos. A nós espíritas, não compete a missão dos laboratórios acadêmicos, mas sim, a dos laboratórios da alma, preparando a humanidade para essa verdade que, em momento oportuno, será comprovada de forma incontestável.
     Até lá, cuidemos para que as portas dos nossos núcleos de trabalho estejam abertas aos viajantes do caminho a fim de que possam encontrar o reconforto para os seus corações e o esclarecimento para suas consciências, de forma simples, e acessível à todos os níveis de entendimento.

                                                                                                       
      Nelson Moraes


Fale Conosco

contato@tvpaz.com.br

Amar, Perdoar e Servir