ESTUDO SOBRE MEDIUNIDADE

  • 28/02
  • Crônicas
  • Nelson Moraes

O movimento espírita, diferente de outras doutrinas, é livre de diretrizes preestabelecidas, qualquer pessoa pode criar uma instituição denominada espírita. Entretanto, nem todas desenvolvem práticas coerentes com os ensinamentos dos Espíritos Superiores.
Muitos modelos de práticas doutrinárias tem sido estabelecidos, suscitando uma grande diversidade de atividades nem sempre regradas no bom senso. Consequentemente, temos muita doutrina dos espíritas e pouca Doutrina dos Espíritos. Criamos instituições grandes, mas são muito raras as grandes instituições. No geral percebemos que estabelecemos uma doutrina de "médiuns" e não uma Doutrina de Sabedoria Cristã como deveria ser. Tudo gira em torno da psicografia e da psicofonia.

Com isso acabamos induzindo as pessoas a acreditarem que a mediunidade é primordial para a evolução do espírito reencarnado.

Infelizmente é essa a imagem que estamos passando para o leigo, tanto é que a imprensa quando aborda o tema Espiritismo, se refere usando o seguinte termo: ‘‘...a doutrina na qual seus seguidores afirmam conversar com os mortos’’.

MEDIUNIDADE SEGUNDO ALLAN kARDEC

"Nos trabalhos que fiz para alcançar o objetivo que me propus, sem dúvida, fui ajudado pelos Espíritos, assim como eles me disseram várias vezes, mas sem nenhum sinal exterior de mediunidade. Não sou, pois, médium no sentido vulgar da palavra, e hoje compreendo que é feliz para mim que assim o seja. Por uma mediunidade efetiva, não teria escrito senão sob uma mesma influência; seria levado a não aceitar como verdade senão o que me teria sido dado, e isso talvez estivesse errado; ao passo que, na minha posição, convinha que tivesse uma liberdade absoluta para tomar o bom por toda parte onde ele se encontrasse, e de qualquer lado que viesse; portanto, pude fazer uma escolha de diversos ensinamentos, sem prevenção, e com inteira imparcialidade. Vi muito, estudei muito, muito observei, mas sempre com um olhar impassível, e não ambiciono nada de mais do que ver a experiência que adquiri ser aproveitada pelos outros, dos quais estou feliz de poder evitar os escolhos inseparáveis de todo noviciado".
Parte do discurso de Allan Kardec em Bordeaux, em 14.10.1861 extraído da Revista Espírita de novembro de 1861

"Tem-se procurado processos para a formação dos médiuns, como se têm procurado diagnósticos; mas, até hoje, nenhum conhecemos mais eficaz do que os que indicamos. Na persuasão de ser uma resistência de ordem toda material o obstáculo que encontra o desenvolvimento da faculdade [mediúnica], algumas pessoas pretendem vencê-la por meio de uma espécie de ginástica (...). Se não existirem rudimentos da faculdadenada poderá produzi-los, nem mesmo a eletrização, que já foi aplicada sem êxito, com o mesmo objetivo".
De O Livro dos Médiuns – 77ª. Ed. FEB – 5/2006 - cap. XVII  - da Formação dos Médiuns -  item 208, pág. 261.

"No médium aprendiz, a fé não é a condição rigorosa; sem dúvida lhe secunda os esforços, mas não é indispensável; (...) Têm-se visto pessoas inteiramente incrédulas ficarem espantadas de escrever a seu mau grado, enquanto que crentes sinceros não o conseguem, o que prova que esta faculdade se prende a uma disposição orgânica".
De O Livro dos Médiuns – 77ª. Ed. FEB – 5/2006- cap. XVII  - da Formação dos Médiuns -  item 209, pág. 261

"Se, apesar de todas as tentativas, a mediunidade não se revelar de modo algum, deverá o aspirante renunciar a ser médium, como renuncia ao canto quem reconhece não ter voz, (...)"
De O Livro dos Médiuns – 77ª. Ed. FEB – 5/2006 - cap. XVII, item  218, pág. 267.

"O desenvolvimento da mediunidade guarda relação com o desenvolvimento moral dos médiuns?".
“Não; a faculdade propriamente dita se radica no organismo; independe do moral..."
Livro dos Médiuns, no capítulo XX, item 226, Kardec

"Há quem se admire de que, por vezes, a mediunidade seja concedida a pessoas indignas, capazes de a usarem mal. Parece, dizem, que tão preciosa faculdade deveria ser atributo exclusivo dos de maior merecimento. "Digamos, antes de tudo, que a mediunidade é inerente a uma disposição orgânica...” - O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XXIV, item A Candeia Debaixo do Alqueire

MEDIUNIDADE SEGUNDO GABRIEL DELANNE

"Um médium, já o dissemos, é um ser dotado do poder de entrar em comunicação com os Espíritos; deve pois possuir em sua constituição física algo que o distinga das outras pessoas, pois que nem todos estão aptos a servir de intermediários aos Espíritos desencarnados. - Gabriel Delanne
Do livro "O Espiritismo Perante a Ciência"  - 5ª Ed. FEB – 8/2006 – 5ª. Parte – Cap. I - Algumas Observações Preliminares – pág. 318 – parágrafo 2º
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Infelizmente o conceito de que todos somos médiuns acabou se transformando em um "axioma" para a maioria dos espíritas, ou melhor, um tabu, contrariando a principal característica da Doutrina Espírita que é a fé raciocinada. Consequentemente a credibilidade do nosso movimento, aos poucos vem sendo abalada por conta desse grave equivoco, resultando no reconforto de uma grande maioria de espíritas que atuam no nosso movimento distanciados da realidade, estimulando o desenvolvimento mediúnico como se fosse o principal objetivo do Espiritismo, induzindo de forma psíquica os neofitos a se acreditarem médiuns.
O momento nos pede a lucidez da fé, tenhamos sempre a mão as ferramentas do bom senso e da razão, caso contrário acabaremos engrossando as fileiras dos crédulos que só aprenderam a dizer amém a tudo que supostamente provém dos espíritos.

Nelson Moraes


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