APÓSTOLO PAULO E AS ELITES DE DAMASCO

  • 12/09
  • Crônicas
  • Nelson Moraes

       APÓSTOLO PAULO E AS ELITES DE DAMASCO

      A mensagem da Boa Nova, ampliada pelas revelações do Consolador Prometido, segue a mesma trajetória e se destina aos mesmos objetivos de quando foi propagada por Jesus e pelos seus apóstolos.

     Os fatos ocorridos outrora, se repetirão: os simples absorverão em seus corações a mensagem na sua essência, e as elites tentarão adaptá-la aos seus interesses, desconfigurando-a dos seus verdadeiros princípios e finalidades.
     Compete aos apóstolos modernos vencerem as mesmas tentações que sofreram os apóstolos de Cristo quando renunciaram às facilidades do mundo para servirem aos valores do espírito.
     No mundo espiritual é conhecida uma história que discorre sobre um acontecimento envolvendo Paulo de Tarso, momento em que assumiu uma sábia atitude perante as elites que o tentaram buscando comprar privilégios e concessões especiais em nome da caridade, conta a história...

     Em uma tarde escaldante, nas cercanias de Damasco, enquanto Paulo tecia no seu tear que lhe garantia os recursos para trabalhar a palavra do Reino, acercou-se dele uma comitiva que representava os homens ilustres que compunham as elites do local, um deles que se destacava com luxuosa túnica e pedrarias valiosas, perguntou:
     – És tu, o grande apóstolo, daquele que dizem ter sido o enviado de Deus?
Paulo, com os lábios ressecados pela poeira do deserto olhou para aqueles homens bem trajados, e respondeu:
     – Sim! Porque me procuram?
     – Na cidade de Damasco, existem mais de uma centena de comerciantes bem sucedidos e de alta linhagem que anseiam por saber mais detalhes sobre o Enviado que dizem ter ressuscitado.
     – Pois que venham ouvir-me, estarei hoje à noite falando nas ruas e nas praças de Damasco.
     – Nossos senhores não se expõem à plebe, eles nos encarregaram de convidá-lo a passar três dias e três noites com eles em um dos seus palácios onde poderá falar-lhes revestido de todo conforto.
     – Diga aos seus senhores que não posso deixar a multidão ansiosa da palavra do Reino para ir atendê-los.
      – Nossos senhores sabem das dificuldades que enfrentam as obras de caridade sustentadas pelas Igrejas que semeastes ao longo de suas peregrinações, cada um dos senhores doará seiscentas moedas de ouro para ajudar no socorro aos necessitados que batem às portas de suas Igrejas.
      Paulo continuou tecendo e se manteve calado. Diante do seu silêncio, o interlocutor retomou a palavra:
      – Se o valor não é suficiente, podemos discuti-lo. —  Paulo levantou a cabeça, e asseverou:
      – Nem mesmo a caridade justificaria que eu me ausentasse da multidão sedenta da palavra do Reino para ceder privilégios a uns poucos. Meu Senhor pregou pelas ruas e praças, o bom cristão deve seguir suas pegadas,

guardou os fios no saco, levantou-se e, colocando o tear sobre os ombros virou-se para o interlocutor, e afirmou:

      – Vá e diga aos senhores que não basta abrir a bolsa e as portas dos palácios para receber a mensagem do Reino; é preciso abrir seus corações.
      À noite descia seu manto sobre a planície de Damasco, quando Paulo começou a pregar a palavra do Reino, a enorme multidão se acotovelava para ouvi-lo. Suas palavras evangélicas ecoaram até altas horas espargindo luz e consolo sobre os corações ali presentes.
      Após a brilhante explanação, conversou com alguns dos presentes que se declararam, a partir daquele momento, adeptos do Cristo e que ansiavam por servi-Lo, Paulo orientou-os e os advertiu sobre as lutas que iriam enfrentar para servirem ao Mestre.
      A lua cheia brilhava nos céus de Damasco. As folhas das palmeiras umedecidas pelo orvalho refletiam sua luz prateada quando um pequeno grupo de homens se aproximou. Paulo reconheceu um dos que estiveram à tarde com ele, então lhe perguntou:
      – Onde estão seus senhores?
      
– Apenas três deles se dispuseram a ouvi-lo em praça pública, aqui estiveram disfarçados entre a multidão. Os outros me ordenaram para segui-lo e esperar, pois acreditam que acabará aceitando a oferta que lhe fizeram.
      
Paulo meditou por alguns instantes e, em seguida, afirmou:
      
– No interesse de alguma coisa, existe o homem que quer e o homem que deseja. O que realmente quer, busca; o que apenas deseja, espera. Muitos neste mundo continuarão esperando o Messias, mas os que O buscavam já O encontraram.

OBS.
Nos dias de hoje, alguns "Apóstolos" da Boa Nova, se reúnem com as elites endinheiradas em Hoteis de luxo e em eventos sofisticados e de alto preço, para que seus ouvintes ouçam confortavelmente a mensagem da Boa Nova.

Nelson Moraes


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